Redes de apoio

É provável que você já conheça o provérbio africano “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”, não é?

E a gente, que é pai, que é mãe, que é  responsável pela criação de uma criança, tem por experiência a certeza de que ele faz todo sentido.

Esse pensamento fundamental de educação impulsiona o conceito de “redes de apoio”, que é a ideia de que as pessoas responsáveis por uma criança tenham um grupo de pessoas próximas, que compartilhem da mesma realidade de necessidade de suporte, com quem possam contar.

Essa rede se fortalece desde o apoio com dúvidas cotidianas que possam surgir em relação aos cuidados com a criança, até um amparo para que o casal, ou a pessoa solo, possa descansar, tomar um banho ou mesmo sair (em tempos de aglomeração irrestrita).

Mas a gente sabe que não é simples assim organizar ou fazer parte de uma rede de apoio na qual você possa confiar. 

Por isso, vou tentar fazer nas próximas postagens um bê-a-bá com dicas que podem ajudar na construção e manutenção dessa rede.

E se você chegou até aqui, salva esse texto,  e compartilha com os pais da sua rede pra gente se encontrar.

  1. Seja corresponsável

O pai, que compreende o seu lugar de corresponsável pelos cuidados da sua criança, entende também que é importante participar da construção de uma rede de apoio, junto com seu par, que vai auxiliá-los com o bebê, nos momentos em que for preciso. 

  1. Estabeleça um diálogo aberto

Dedicar a outras pessoas o cuidado da sua criança, ainda que por pouco tempo, é um exercício de confiança. Portanto, estabeleça um diálogo aberto com seu par, e não se acanhe em elencar as principais pessoas em que ambos confiem igualmente para realizar essa tarefa.

  1. Crie redes virtuais de afeto.

Não pense que é exagero criar grupos no WhatsApp com as pessoas que estão na sua lista de confiança (sejam elas alguns parentes, outros pais ou amigos), para facilitar a comunicação em caso de necessidade. Com isso fica mais fácil pedir ajuda, trocar informações ou só estabelecer aquele canal para fazer desabafos. Mas lembre-se sempre de se certificar com as pessoas envolvidas, se elas têm interesse de fato em participar desse grupo.

  1. Não se acanhe em pedir ajuda

Estar à vontade para pedir ajuda pode ser uma das maiores barreiras para nós, pais cis negros. Afinal, além de vivermos em uma sociedade que sempre espera a segurança e providência vindas da figura masculina numa relação familiar, a gente vive em um tempo em que aspectos como individualismo e autossuficiência parecem se sobressair à vida em coletividade. Não se force a performar o super-herói, e acumular tarefas, medos, dores e dúvidas que poderiam ser compartilhadas, confie em pessoas da sua rede para se desfazer dos seus acúmulos, e sendo possível, faça terapia.

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